Claiton J. Grabauska -- Universidade Federal de Santa Maria.
BRASÍLIA URGENTE:
Os professores das extintas Universidades Federais (hoje Organizações Sociais de Ensino Superior), em greve há quatro anos, tomaram o Palácio do Planalto de assalto, ontem, sete de setembro de 2002. A data foi definida por lembrar o antigo "Dia da Independência" do Brasil; como todos sabem, a nova data de independência é quatro de julho, conforme Medida Provisória do Presidente Fernando II.
A tomada do Palácio do Planalto foi a culminância de uma marcha que começou nas antigas Universidades, hoje controladas, em sua maioria, por fundações mantidas por capital transnacional. Em maio de 2002, quando começaram as manifestações, os professores foram recebidos com estranheza pelos alunos, esquecidos que estavam da gratuidade do ensino, extinta quando da transformação das Universidades Públicas em Organizações Sociais. Hoje, em média, um estudante paga mensalidade de 1.200 dólares para estudar em uma Organização Social, preço pouco inferior ao da rede privada, em torno de 1.500 dólares mensais (quando as Universidades eram públicas, o ensino era gratuito).
Os professores chegaram à Brasília no dia seis de setembro, acampando num terreno ao Lado do Palácio. Cerca de trinta mil compareceram ao acampamento. Segundo um ex-dirigente da extinta ANDES, "seriam mais de 20 mil professores". Conforme avaliação da mesma entidade, poderiam ser muitos mais; entretanto, muitos foram levados pelo discurso do governo à época da greve (" a autonomia resolverá o problema das Universidades").
Antigamente, em 1998, um professor universitário, com doutorado, recebia cerca de 1.800 dólares mensais; atualmente, poucos recebem mais de 500 dólares por mês. Avaliações de entidades ligadas à educação reputam a pequena participação de professores universitários à cooptação de alguns, por parte do governo federal -- os que estariam, hoje, ganhando 500 dólares mensais -- ou à morte de três mil professores, pela greve de fome iniciada em maio de 1998.
Os professores chegaram à Brasília no dia 06 de setembro, acampando em um terreno ao lado do Palácio do Planalto; o governador do Distrito Federal, Fernando Collor, não despejou os manifestantes, mesmo a pedido do senador Paulo Ocatávio, seu amigo pessoal, que irá construir o "Planalto Tower", um luxuoso prédio de apartamentos para executivos de multinacionais, naquele local. Segundo o governador Collor, não seria necessário remover os manifestantes, pois "sua força é inexpresiva."
Em um momento de "cochilo" da segurança do Palácio (culos membros estão sem reajuste há três anos), os professores invadiram a sede do governo e tomaram como reféns o Presidente Fernado II, seu vice, Paulo Maluf, o Presidente-Adjunto, Antônio Carlos Magalhães (cargo criado pelo Projeto de Emenda Constitucional 14731/2001), o Cardeal Primaz do Brasil, Marco Maciel, além de várias lideranças do PFL, como Antônio Britto, Nelson Marchezan, Pimenta da Veiga, Amazonino Mendes, Anthony Garotinho, Nelson Jobim, Inocêncio de Oliveira, Eduardo de Azeredo, entre outros.
Foi um baque para o PFL, maior partido do ocidente, condição alcançada após a a eleições de 1998, quando absorveu o PSDB, o PPB, o PMDB e setores descontentes do PDT e do PPS. Nas palavras do presidente do partido, Senador César Maia (que não estava no Planalto por ter ido a uma consulta psiquiátrica): "Foi um duro golpe para o partido, pois as lideranças do Brasil moderno tiveram calada a sua voz -- só resta eu."
O governador de São Paulo, Edson Arantes do Nascimento, propôs-se a trabalhar como mediador entre os professores e as Forças de Paz da ALCA, as quais cercaram o Planalto logo após a invasão. Esta Força é a responsável pela segurança do governo. A Força de Paz da ALCA tem 70 % de seu capital controlado pelo exército norte-americano; o restante é dividido entre China, Alemanha e Israel.
A tomada do Planalto causou comoção internacional. Varias lideranças estrangeiras estavam na sede do governo, que na ocasião comemorava a privatização do comércio Exterior do Brasil e do Banco Central. Entre as autoridades presentes, encontravam-se o Sr. Carlos Menem, recém nomeado Governador do Protetorado Norte-Americano do Rio da Prata (antiga República Argentina), o Rei do Império Inca do Perú, Alberto Fujimori, o Presidente da TV Universal, Edir Macedo, recentemente naturalizado japonês, que acumula a presidência do Vaticano S.A., e o Presidente do Banco Mundial, o cidadão canadense, Pedro Malan.
A vigilância eletrônica do Planalto foi ativada, mas, descoberta pelos professores, foi destruida.
Fontes extra-oficiais informam que as cenas gravadas são chocantes. A Rede Globo, o SBT e a TV Universal, que comprou a CNN há poucas semanas, disputam acirradamente a posse das imagens.
Um dos membros da segurança, que teve acesso às imagens e preferiu não se identificar, contou que as cenas eram horríveis:
Os professores estão sem receber desde maio de 1998; até o momento, vinham recebendo donativos de entidades sindicais, ajuda humanitária da ONU (apesar do protesto dos EUA) ou, simplesmente, vivendo de esmolas. Muitos estavam desnutridos; em um teste feito no incio do ano, muito professores não conseguiram lembrar de questões básicas das áreas em que trabalhavam antes da greve de 1998!!!!
Outras fontes informaram que todos os presentes à comemoração no Planalto, foram canibalizados, à exceção do Cardeal Marco Maciel, por ser muito magro.
Os Dirigentes das Organizações Sociais enviaram uma nota de repúdio a os órgãos de imprensa, contra a atitude dos professores. Segundo Maria da Graça Meneghel (presidente da Fundação XUXA de Ensino Superior e atual Reitora de Organização Social de Ensino Superior de Niterói, ex-UFF), o ex-ministro da Educação, Paulo Renato de Souza (falecido em agosto de 1998), havia prometido que, se os docentes saíssem da greve, a negociação seria estabelecida. A senhora Maria da Graça espera que as agressões acabem logo, a fim de que ela encontre-se com o Executivo -- ou o que restou dele -- para solicitar a re-criação do Ministério da Educação, extinto em 1999, por sugestão do Banco Mundial.
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